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Olivença - uma parcela inalienável da província portuguesa do Alentejo - permanece cativa nas mãos expansionistas e imperialistas de Madrid, em violação dos mais elementares princípios do Direito Internacional Público e da convivência entre os Estados, lançando sobre Castela o opróbrio das contradições insanáveis quando reivindica Gibraltar e submetendo todos os portugalaicos a uma aviltante subjugação.
É o Mundo Portugalaico que se humilha com a continuidade desta ocupação. É a Lusofonia que se vilipendia com esta ilegalidade. É a Portugaliza que jaz amputada enquanto perdurar este esbulho. Com razão se tem definido a Galiza como uma Grande Olivença. Une-as a trágica semelhança de uma ocupação estrangeira, a intolerável colonização imposta por Castela, a miserável perseguição à língua portugalaica. Mas também a resistência heróica contra o impiedoso ocupante, o esforço ingente pela defesa da sua identidade, o anseio inquebrantável de alcançarem a liberdade, o projecto irreversível de ambas se reunirem à Portugaliza.
A mesma luta que une os homens e mulheres das duas margens do rio Minho na libertação inexorável de toda a faixa ocidental da Península Ibérica congrega-os no combate por ver reunida à Mãe-Pátria galaico-portuguesa o Território de Olivença, junta-os na pugna da dignidade dos povos contra a subjugação exterior, associa-os na peleja pela vitória do Direito sobre o poder da força. O sangue comum impõe-nos a irmanação neste projecto. A consciência de formarmos a mesma Nação sistematicamente atacada e perseguida pelos poderosos de Castela exige-nos que partilhemos este desiderato libertador. Olivença, uma nesga terra alentejana, é parte irredenta da Portugaliza. Todos não seremos demais na recuperação de Olivença: a reparação da nossa integridade, a restauração da nossa dignidade!
Da Grande China ao Pequeno Portugal: Macau e Olivença
Dia 20 de Dezembro de 1999, Pequim deu mais um passo a caminho do seu projecto de reunificação com a transferência de Soberania do território de Macau, dois anos depois da reincorporação de Hong-Kong; lançando agora as suas vistas cada vez mais sequiosas sobre a Formosa com o intento de concretizar a tão almejada Grande China. Quase ao mesmo tempo, o Panamá assume a gestão do Canal, o Japão empreende esforços para recuperar as Ilhas Curilhas ocupadas pela Rússia, a Espanha recorre a todos os meios para conseguir estender a sua Soberania sobre Gibraltar, Marrocos reclama o início das negociações para impor a sua administração em Ceuta e Melilla e a Argentina prossegue a exigência de a Grã-Bretanha proceder à devolução das Ilhas Malvinas. E não obstante todos estes factos e evidências, os arautos do internacionalismo e os corifeus do iberismo continuam a sua falaciosa propaganda fazendo crer aos portugueses que a Soberania é hoje um conceito do passado, que a Integridade Territorial dos Estados é um princípio jurídico já ferido de caducidade ou que a Independência Nacional é um valor definitivamente relativizado... E confundindo, por ignorância ou por cavilosidade, limites territoriais com alfândegas, esses mesmos iluminados propagadores do obscurantismo ibero-europeísta dizem a cada passo que já não existem fronteiras, sofisma com que justificam, ao serviço de Madrid, a alegada inutilidade da reivindicação portuguesa de Olivença. Mostrem-nos, pois, entre que Estados deste mundo foram removidos os marcos fronteiriços, mesmo no seio da União Europeia! E provem-nos se, para os Estados Unidos, para o Japão, para a Rússia, para a Alemanha, para o Canadá ou para quaisquer outros países que verdadeiramente contam na Comunidade Internacional, a Soberania, a Independência e a Integridade Territorial deixaram de constituir os padrões basilares da sua existência e sobretudo da sua perenidade! Agora que Portugal regressou à sua dimensão tardo-medieval, transformando-se num Portugal Pequenino a descambar perigosamente para um país de gente pequenina, resta-nos a grandeza de recuperarmos a dignidade sobrante: assumir este pequeno Portugal como um Estado íntegro e inteiro, reavendo Olivença e fazendo coincidir a área da sua Soberania com o espaço efectivo da sua administração: deixou definitivamente de ser tolerável que um Estado estrangeiro e sobretudo ocupante - a Espanha -, contra as mais elementares regras do Direito Internacional, continue a administrar uma parcela de território que histórica e constitucional nos pertence.
«Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez»
«Falta cumprir-se Portugal»!
Mário Rui Simões Rodrigues
Casa do Alentejo
Rua das Portas de Santo Antão, 58
1150 - 268 LISBOA
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