Amor que nunca fostes , por nom amormais que por nom ter sido, acouga e senta que che vou contar que é que vou fazer de seguido.
Vou-me desprender insensível de todos quantos abalórios de ti se me prenderom, de todo quanto, por accessório, me sobra e nom quero.
E vou cruzar a baía, eu soinho, a nado baixo a única luz da lua crescente sobre esta mansa, suave corrente e quando alcance a cala do velho faro,
hás ver,
vai-me invadir a serenidade do mesmo firmamento e o seu mesmo silêncio sem sentimento e enquanto ganho de novo o próprio pulso deitado sobre a areia húmida e fria axexado por, luzes de outras vidas, os olhos dos gatos que naquelas lajes moram, hei pronunciar, quase sem querê-lo, palavras longo tempo perdidas, em línguas mortas, matadas de nom faladas, mortas de mal faladas mortas, tal que eu, de mal amadas.
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