Contra a lenda negra da Costa da Morte há tanto documentos históricos como a tradiçom oral. O meu tataravô, Francisco Benlloch i Buigues, de origem valenciã, era fareiro. Foi o responsável do faro de Tourinhám entre 1.900 e 1.920 e nel criou aos seus filhos. Participiou activamente em diversos salvamentos e foi condecorado polo governo inglês polo rescate de víctimas desta nacionalidade no citado cabo. Nunca jamais o tataravô, nem o meu bisavô, nem o meu avô nem os tios~avôs acreditarom feitos semelhantes aos da lenda dos "fachos nos cornos das vacas", muito menos por suposto à de "apagar o faro para provocar un naufrágio". Nunca relatarom más cousas das gentes dos lugares achegados ao faro no que viviam, e de haver algo mau que contar, poderiam-no ter feito porque, polo menos os primeiros chegados da família, eram de fora. A gente natural dos lugares insultados (Tourinhám, Neminha, etc) nega que essas lendas sejam certas. De feito, estas lendas de cote provêm do exterior, de persoas alheias à Costa da Morte. Dá a impressom de que som lendas encaixadas sem interesse antropológico-cultural ao entorno da Costa da Morte, e de qualquer jeito com certo cheiro sensacionalista. É certo que nalguns naufrágios pudo haver pilhagem: existia umha lei nom escrita na beira~mar (o "direito de achádego") pola qual, contrariamente à legislaçom oficial vigente, quem encontrava algum bem provindo de um naufrágio tinha direito a quedar com el. Mas de aí a arrojar um manto de escuridade sobre as gentes da Costa da Morte, acusando-os sem dó de assassinos, de artelharem técnicas para fins macabros, há um bom treito que há que ter muita coragem para percorrer.
Tomemos um dos múltiples naufragios como mostra, o do Serpent. Relata Francisco de Ramón y Ballesteros no seu livro Fantasías y realidades de la Costa de la Muerte: >> En la oscura noche del 10 de febrero de 1.890, en la que el mar, el viento y la lluvia, hermanados en un gran temporal, parecían empeñados en poner de manifiesto el inmenso poderío de sus fuerzas, navegaba a la deriba (sic) y desmantelada la hermosa fragata nombrada The Serpent (...) adquiriendo en aquellos momentos tales proporciones la tempestad, que el comandante estimó llegada la hora de intentar el salvamento de la tripulación, abandonando el indefenso navío a su propia suerte. O meu avô conta que os velhos do seu tempo relatavam como o Serpent tinha ido a pique num dia de temporal: o faro do Vilám por aquel tempo funcionava a lenha e nom alumiava avondo. Todos os que viviram naquel tempo lembravam os feitos assim. Esta é a herança da memória dos naturais. Que cousa mais usual que o temporal provoque um naufrágio, nom sim? Por que daquela, esta lenda negra da Costa da Morte? Como diz José Baña Heim no seu Costa de la Muerte: Historia y anecdotario de sus naufragios: >> En nuestra costa, que raras veces no se ve cubierta por la niebla, los fuertes temporales son frecuentísimos, los abatimientos por el viento y las corrientes son muy acusados, las restringas que las rodean son como una ratonera en la ruta. Essa atravessada lenda segundo a qual, no caso do Serpent, os piratas de terra ingleses enviaram aviso aos piratas de terra galegos nom deixa de ser surpreendente, por dizê-lo finamente. Como se supom que, numa época e num lugar como a Costa da Morte de entom, no que nom havia nem estradas, nem meios de comunicaçom (telegrafia), num periodo de navegaçom de 57 horas do Serpent desde Inglaterra ao Cabo Vilám, ia chegar aviso de que apagassem o faro do Vilám coa intençom de que fosse a pique o navio e assim se fazerem cos tesouros que portava? Acaso lhes mandaram umha mensagem de correio electrónico? Aliás: ainda se se asumem as hiperbólicas premisas de que os piratas galegos conseguiram apagar o faro Vilám, por que o haviam de fazer numha noite de temporal na que nem sequer eles podiam, polo bravo do mar, chegar aos supostos tesouros portados no Serpent? Ainda por riba de piratas, parvos! É eloqüente um artigo de imprensa escrito desde Corcubiom o 18 de novembro de 1.896: >>El pueblo de Camariñas (...) se ha empeñado en demostrar a todo el mundo cuán injusta es la fama que tienen estas regiones de inhospitalarias e incultas. >>Si un buque tripulado por marineros de esta ría sufriesen la suerte del Serpent, no se hubiera visto ni mayor actividad ni más cuidados, ni más temerario arrojo. >>(...) Para recoger los cadáveres han expuesto sus vidas varias personas que han sido arrebatadas por las olas, del poder de las cuales han sido recobradas por medio de tridentes, rastrillos y otros útiles y salvados así de un peligro horroroso. ¨Qué más había de hacer este pueblo para que la fama injusta de estas costas sea sustituída por la que merece? ¨Qué culpa tienen estos habitantes del abandono que siempre se les ha tenido por todos los gobiernos? Quem tem fontes antropologicamente válidas que possam avalar a lenda negra da Costa da Morte? >> Sobre esta la leyenda se ha escrito mucho y nunca se dijo gran cosa. (...) Pero como quiera que la excepción nunca confirma la regla, estimo que resulta poco ortodoxa la pretensión de querer convertir en realidades a todo un mundo de inexistentes acciones. A saber: precipitación de nafragios por parte de los aborígenes, asaltos y saqueos a las embarcaciones siniestradas, asesinatos y enterramientos clandestinos de los náufragos y otras lindezas de análoga índole. --Cita de Francisco de Ramón y Ballesteros (Fantasías y realidades de la Costa de la Muerte)
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