Caralho!
por Marcos Vidal / Abril'98


Uma das palavras mais ricas na língua galega é "caralho", junto com todos os seus derivados e distintas acepções.

 

Como verbo, pode ser:

reflexivo

"Tu escaralharas-te às risas com essa brincadeira"

transitivo

"Escaralhou o carro por completo"

 

Como sustantivo, pode expressar:

salutação

"Como caralho estás?"

despreocupação

"Importas-lhe um caralho ao teu amado"

advertência

"Não me toques o caralho"

desprezo

"Vai-te ao caralho!"

perda

"Onde caralho vão as chaves?"

surpreesa

"Caralho, que saiu bem inteligente a criança"

indignação

"Manda caralho na Habana!"

dificuldade

"Não entendo um caralho"

moléstia

"Proe-me de caralho esta ferida"

fracasso

"Alá vão os nossos planos ao caralho!"

incertidume

"E logo que caralho passa aqui?"

magnitude

"A minha casa é grande de caralho"

enfado

"Me cago no caralho!"

inutilidade

"Esta máquina não anda um caralho"

pensamento

"Caralhinho, não dou com a solução..."

anatomia

"Deixa de ranhar o caralho e atende"

fartura

"Estou de vós até o caralho"

ambiguedade

"O caralho de João não vale nada"

 

Também há sustantivos derivados:

esmorga

"Todas as noites andam de caralhada"

desorganização

"Vaia caralhada de factoria"

 

Alguns adjectivos derivados indicam:

incompetência

"Ele é um verdadeiro caralhão"

destrucção

"O virus deixou-me o disco escaralhado"

solvência

"Tu resultaste-nos um jogador caralhudo"

 

E por suposto também estão os advérbios:

comodidade

"Neste talho eu janto caralhudamente"

localização

"Marcharom caralhadiante"


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