A língua japonesa
por Kike Benlloch Castinheira / Agosto'97

O japonês actual é um idioma uniforme, resultante de um processo de ajeitamento de duas realidades em certa medida divergentes: a língua escrita antiga e a língua falada moderna. Esta esgaçadura causara-a o feito de que a grafia --influida polo estilo chinês-- evolucionara de jeito distinto à fala.

A grafia do japonês foi numha origem representada coa ajuda de caracteres chineses, aceitados para umha pronúncia nas ilhas semelhante à da língua continental.

Esta grafia chinesa, chamada KANJI foi simplificada em forma de símbolos silábicos; o conjunto de signos silábicos denomina-se KANA.

Por causa de que a língua occidental desde a que mais se tem estudado o japonês é o inglês, quando se procede à transcriçom dos símbolos silábicos a caracteres latinos, soi-se usar de referência o alfabeto inglês e a sua pronúncia. Nesta expressom inglesa das parelhas silábicas, divergem do galego a pronúncia dos seguintes caracteres: H (H aspirada); W (semelhante ao U); Z (semelhante aos Ç e Z em Portugal e Brasil); J (como LH); G (sempre como em "guerra"). As vogais lem-se, a grosso modo, igual que em galego.

A I U E O N
KA KI KU KE KO
SA SI SU SE SO
TA TI TU TE TO
NA NI NU NE NO
HA HI HU HE HO
MA MI MU ME MO
YA YU YE YO
RA RI RU RE RO
WA WI WE WO
GA GI GU GE GO
ZA ZI ZU ZE ZO
DA DI DU DE DO
BA BI BU BE BO
PA PI PU PE PO

Hoje em dia o japonês escreve-se verticalmente, em colunas de direita à esquerda, usando tanto caracteres chineses como caracteres silábicos.

O idioma japonês é certamente, como é pensamento geralizado, umha linguagem mui complexa tanto na grafia como na gramática. Se desglosamos a escrita, atoparemos os seguintes subconjuntos:

  • Hiragana
  • Katakana
  • Kanji

Os HIRAGANA e KATAKANA som dous silabários de 51 sons singelos de ler e escrever , entanto o KANJI, o conjunto de ideogramas --símbolos que por si sós significam umha palavra-- de origem chinesa, som mais difíceis de aprender. Existem um total de 2.050 ideogramas de uso oficial. À parte deles, existem inumeráveis símbolos e códigos completos, usados só --e mesmo só compreendidos-- em âmbitos mui definidos, como clans, agrupaçons religiosas, empresas e por suposto no mundo do crime organizado, a YAKUZA ou máfia japonesa.


a verdade está aí fora

Nesta frase os símbolos estám ordenados para facilitar a sua leitura a um occidental, horizontalmente e de esquerda à direita. Os dous primeiros caracteres estám em KANJI, de aí a sua aparência mais complicada. O resto, caracteres mais singelos, som HIRAGANA.

A frase lê-se em japonês Shinjitsu wa soko ni aru (transcriçom inglesa). Em galego probavelmente transcreveríamos Jinlhitsu ua soco ni aru.

Shinjitsu, que significa a verdade, está escrito em KANJI.

De cote se di, e nom sem razom, que umha das barreiras mais complicadas que a língua japonesa tem enfrentado na sua história é a do armazenamento e transmisom de informaçom em forma digital. O mundo da Internet, sem ir mais longe, pertence primordialmente ao inglês, mas a verdade é que os que escrevemos em línguas que usam caracteres latinos nom temos muita queija. No país do sol nascente, os silabários HIRAGANA e KATAKANA som simples de expressar informaticamente, pero os caracteres chineses do KANJI representam um grave problema --nom só para os que aprendem japonês-- porque consomem muito espaço de disco e memória, fazendo assim difícil tanto o aspecto de armazenamento como o de representaçom em pantalha.

Os caracteres chineses podem-se ler de vários jeitos. As opçons som:

  • GO-ON leitura chinesa-japonesa (antiga)
  • KAN-ON leitura revisada
  • KUN traduçom do significado do carácter chinês em japonês

As palavras em japonês acabam sempre em vogal ou em n. Quanto aos barbarismos, os termos estrangeiros conservam-se só se acabam em n.

No aspecto morfológico, atopamos dous tipos de palavras.

  • Variáveis: podemos identificá-las cos verbos e adjectivos galegos. A raiz de estas palavras indicam modo, aspecto ou funçom sintáctica. Os sufijos engadem-se à raiz.
  • Invariáveis: incluem os sustantivos. Tamém hai enclíticos (partículas curtas e invariáveis) que indicam casos ou as relaçons entre as palavras na frase.
  • Quando nom se pode indicar persoa ou número, isto suple-se mediante o vocabulário. A persoa indica-se polo grau de cortesia usado.

    O determinante precede ao determinado. O verbo, o predicado intervém sempre ao final da frase, por exemplo:

    Watakushi-wa Galiza-jin desu
    sujeito-complemento directo-verbo
    (Eu som galego)

    Por último, umha anécdota: como resulta previsível, os emoticonos escrevem-nos ao revés (^:

    Ja, Mata! (até mais ver!)


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