esta manhã caminhava para o precipício, mãe
prenhada de desespero e frustração, mãe
farta de tudo arredor, tal era o suplício, mãe
abriu-se aos meus pés o chão, mãe
e nasceram-me asas nas costas
asas nas costas
olha como voo
olha-me parir esta minha nova existência
desde o céu, alto, alto
vi chover sobre as misérias terrenas
que um dia me tinham asolagado, mãe
vi se enferrujar as pesadas cadeias
que tanto tempo tinha levado, mãe
mas não muito pois asinha estive longe
no ar alto, alto
e nasceram-me asas nas costas
asas nas costas
olha como voo
olha-me parir esta minha nova existência
desde o céu, alto, alto